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08 de março….Por mais respeito!

Posted in política with tags on março 8, 2013 by Roger Deff

Dia Internacional da mulher

Para além das comemorações, o Dia Internacional da Mulher nos traz um momento de reflexão. Exercício alias que deveria ser feito todos os dias. Comemoro as conquistas das mulheres nas últimas décadas porque, assim como outros espaços obtidos por grupos minoritários e oprimidos, tais conquistas são vitórias da humanidade.

São indícios de que podemos superar os preconceitos, a barbárie, e tantas questões que ainda nos limitam. A busca pela igualdade, pelo respeito, pelo direito à voz ou de simplesmente existir, cada um sendo exatamente o que é, é uma luta de todos nós, independente de gênero, etnia, credo, opção sexual, ou qualquer outra “categoria” criada para classificar grupos humanos.

Por outro lado, a igualdade plena ainda é um objetivo a ser alcançado. Todos os dias mulheres são vítimas das mais diversas formas de agressão, enfrentando tanto a imposição de padrões estéticos quanto a violência doméstica entre outros abusos.  Todos nós temos a nossa parcela de responsabilidade. Contribuímos para a manutenção disso quando fomentamos ideologias machistas e reducionistas, que se propagam e se perpetuam através de atitudes e comentários corriqueiros e “inocentes”.

Nos desrespeitamos quando não somos capazes de ver nossas irmãs, filhas, mães e companheiras como iguais, dignas de respeito. Não por ser uma concessão, longe disso, mas porque o respeito é direito a priori de qualquer indivíduo. Porque reconhecer a igualdade não é ignorar a diferença, é valorizá-la sob outro olhar, compreendendo que somos diversos, ao mesmo tempo em que somos um.

Contrariando o sempre o mítico e persistente título de “sexo frágil” elas dão verdadeiras demonstrações de força quando enfrentam de frente tantas questões.

Fica a homenagem às mulheres, pelos exemplos constantes de superação, pela coragem diante de um mundo que só mudou (embora esteja longe do ideal) porque elas se mobilizaram e conquistaram. Conquista diária,  um passo por vez, mas vamos juntos!

“Menos ignorância, mais conceito, menos intolerância, mais respeito…”

(Dokttor Bhu e Shabê na música Ainda Somos os Mesmos)

Texto: Roger Deff

Foto: Flora G

Missão cumprida: Duelo de MCs e cultura de BH representados no Canadá

Posted in música, política with tags , , , , , , , , , , , , on março 3, 2012 by Gusmão

Após uma semana intensa de conhecimento e experiências fora do Brasil, nosso batera Gusmão está de volta com as energias recarregadas e orgulhoso de poder representar um pouco do que acontece de mais expressivo nas ruas de Belo Horizonte: o Duelo de MCs. Através de sua pesquisa de mestrado pela faculdade de Música da UFMG sobre a cultura de rua de Belo Horizonte e o tratamento dado a ela pelo poder público ele foi apresentar seu trabalho no Music and Social Justice Symposium, um simpósio sobre Música e Justiça Social ocorrido na Carleton´s University, em Ottawa, capital do Canadá.

Segundo o próprio a apresentação foi bastante elogiada e contou com fotos e textos do que a cultura de rua de BH tem sido para além do Duelo, tendo falado um pouco também sobre a Praia da Estação, o Sarau Vira-Lata e o Carnaval de Rua. Os comentários tecidos pelos canadenses foram sobre “o espírito vivo” que essa cidade parece ter. Bela observação!

Foram 20 minutos de apresentação mais 10 minutos para perguntas, o que deixou tudo bem corrido devido a vastidão deste tema. No meio desta correria, registros da apresentação acabaram sendo sacrificados, infelizmente.

Um dos pontos mais interessantes da viagem em termos de contato foi conhecer o movimento de spoken word de Ottawa. Spoken word é uma espécie de poesia performática que tem um forte diálogo com as rimas dos rappers. Uma figura famosa nesse sentido é o poeta-dub Linton Kwesi Johnson, uma grande influência musical pro nosso batera, inclusive. Saca aí:

O pessoal envolvido com essa arte em Ottawa organiza um evento chamado Slam Poetry que é um duelo de poesia que acontece numa pequena casa de show de lá chamada Mercury Lounge, bem similar ao Nelson Bordello que temos aqui.

Ian Keteku, poeta, jornalista de formação e que também escreve alguns raps, é um dos entusiastas desse movimento na cidade. Ele convidou nosso batera por um rolé e pela cena de lá e pôde presenciar essa riqueza poética urbana. Saca aí um pouco do trabalho do Ian:

No Slam Poetry não só rappers participam mas qualquer pessoa disposta a recitar sua poesia com dramaticidade. O jurado são alguns membros da platéia que julgam e dão notas aos participantes ao final de cada recital que dura 3:30. Inevitável, não lembrar do Duelo nessas horas com a diferença de que no Viaduto a voz do povo é a voz de Deus e os versos vêm desembolados no som dos instrumentais de rap.

Interessante notar esses diálogos entre eventos geograficamente distantes mas próximos na proposta.

Os contatos foram estabelecidos e agora é aproveitar para romper com essa distância geográfica da cultura global urbana.

“Construindo pontes, união é a fonte…” – Muito Além, Julgamento.

O Largo dos Poetas e o Duelo de MCs

Posted in música, política with tags , , , , , on janeiro 18, 2012 by Gusmão

Quando Ouro Preto, no século XIX, declinava de seu apogeu dourado, os governantes começaram a pensar uma nova capital para Minas Gerais. Belo Horizonte seria a metrópole moderna que Minas não tinha, atendendo a aspirações burguesas de fim de século e colocando o estado num novo patamar de desenvolvimento. Construída sob os ideais positivistas de ordem e progresso, BH foi planejada para comportar 100.000 habitantes o que em 1970 já passava de 1 milhão. Para isso, a zona rural de Curral Del Rey foi desapropriada para a chegada dos novos moradores que deveriam ocupar e consumir aquele espaço.

O século seguinte chegou e com ele as obras de calçamento e arquitetura que buscavam apagar do mapa o velho Curral e seus primeiros habitantes. O referencial de modernidade naquele tempo era a Europa, os boulevards franceses e todo o requinte das ruas parisienses. Em 1929, quando o Viaduto de Santa Tereza foi construído com sua arquitetura arrojada e grandiosa buscava-se ligar o centro da cidade (Rua da Bahia, principalmente) aos bairros tradicionais da cidade como o Floresta e Santa Tereza que acabava de receber esse nome por causa da igreja localizada na Praça Duque de Caxias.

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É sabido que a Rua da Bahia era um ponto dos escritores e intelectuais da cidade que se encontravam em seus bares e cafés para a troca de idéias e boemia. O Viaduto de Santa Tereza que agora era um símbolo da modernidade metropolitana catalisava para si essas aspirações artístico-literárias sendo pensado para ser o Largo dos Poetas. A tradição de subir seus arcos foi iniciada por escritores como Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava e até hoje há quem repita essa proeza, incluí-se aí o autor deste texto.

O tempo passou e o Viaduto acabou não sendo mais que uma via de passagem. Já na década de 1980, quando o capitalismo do terceiro mundo já sentia a chegada dos ideais neoliberais inúmeras cidades brasileiras começaram a passar pelo chamado processo de “revitalização”. No caso belo-horizontino, uma obra que veio a calhar foi a construção da estrutura inferior do Viaduto composta por um palco, pista e arquibancada para apresentações e exposições numa tentativa de retomar as aspirações artísticas do Viaduto. E não é que esse projeto fazia parte das obras de revitalização da Rua da Bahia?!

Foi preciso mais de 20 anos para que de fato o Largo se tornasse dos Poetas. E não estamos falando dos poetas da academia, de identificação pequeno-burguesa. Mas sim dos poetas da rua, que respiram a cidade e se apropriam dela de uma maneira diferente. Em 2007, o coletivo de jovens hip-hoppers Família de Rua começava a organizar um dos eventos culturais mais marcantes da atual Belo Horizonte. Nada mais, nada menos que o Duelo de MCs.

O evento acontecia inicialmente num canto da Praça da Estação próximo do Viaduto se consolidando exatamente no momento em que se apropriou da estrutura inferior disponível. Centenas de pessoas freqüentam o lugar nas noites de sexta-feira onde é possível perceber gente de diferente cor, raça, ideologia e credo. Mesmo alcançando tamanho sucesso e relevância na capital tem enfrentado dificuldades junto às autoridades para se manter de pé sem um esforço constante dos organizadores. O que é uma contradição já que finalmente o Viaduto encontrou sua maior aspiração: a poesia.

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Texto por Gustavo “Gusmão” S. Marques

Leia também:

http://www.letras.ufmg.br/atelaeotexto/pesquisaluciocoelho.htm

http://bairrosdebelohorizonte.webnode.com.br/avenidas-e-ruas-de-bh-/

http://duelodemcs.blogspot.com/ 

Pra fazer pensar… e (por que não?) agir!

Posted in política with tags , , , , on dezembro 9, 2011 by Gusmão

Excelente entrevista de Juca Kfouri em seu programa de esportes com o prof. da UFRJ Carlos Vainer. Estudioso da política urbana e das conseqüências que os chamados Mega Eventos Esportivos trazem para as cidades aponta várias críticas de como o espaço urbano tem se transformado em verdadeiras empresas a busca de investimentos acima de qualquer prioridade.

Vale a pena assistir contextualizando com a política higienista que nossa cidade hoje vive com eventos super bacanas como o Duelo de MCs enfrentando problemas com o poder público.

É o programa na íntegra, 52 minutos que vale a pena pra oxigenar as idéias.