JULGAMENTO (saiba mais…)

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Acho que mais bacana do que deixar um release formal é contar em primeira pessoa como tudo começou. Pelo menos eu gostaria de ver isto quando visitasse a página de algum músico/ banda que me interessasse.

A história começa lá em 1993, foi quando eu comecei a me interessar por rap, assim como todo garoto criado nas periferias dos grandes centros.  Comecei ouvindo Gabriel, Racionais, Pavilhão 9 entre outras coisas, mas nem sabia direito o que era hip-hop. Fui ouvir Thaide & DJ Hum somente em 1994, quando o Clodoaldo, rapper do Fator R e grande amigo meu, me apresentou o som. Aí eu fui entender do que se tratava a coisa toda, e que era uma cultura que englobava 4 artes de rua. A saber: rap, break, dj e grafitti.  Eu havia iniciado a história com um parceiro meu, o Marcus, mas jamais saímos do papel.2006 julg em ksa no palco A idéia de me tornar rapper só se concretizou em 1995, quando um cara chamado Moabi resolveu apostar e fizemos um som juntos. A Trupe original era: Moabi, Aleandre, Renato DMC e eu, Roger Deff (mas na época eu não usava este nome ainda).

O grupo se chamava “Julgamento Rap”. O nome me parecia forte, sei lá. Eu andava pra cima e pra baixo com uma camisa super surrada do Public Enemy (olha a responsa!!!), e um monte de discos de vinil debaixo do braço. Explicando: não tinhamos os meios de produzir nosso som, era muito caro, então a estratégia de todo mundo era passar na Galeria Pça 7 e comprar versões instrumentais de rap’s americanos, ou até nacionais, estas eram as nossas bases. O resto do trampo era realizado pelo Dj, que utilizava trechos de fala para complementar as frases e rimas dos mcs.

E aí começamos, meio “patinho feio” da cena local. Os grandes nomes do hip-hop belohorizontino na década de 90 eram grupos como Conceito Negro, que tinham letras super positivas, o Divisão de Apoio, banda do Dokttor Bhu que, diga-se de passagem, foi a primeira a utilizar instrumentos nas apresentações de rap, o Retrato Radical e a Black Soul, esta última responsável pelo primeiro registro fonográfico da história do rap na cidade. Básicamente estes eram os grupos de ponta e nós estavamos iniciando a nossa trajetória.  Começou assim, e boa parte destes trabalhos citados serviram de referência para a construção do nosso, em vários aspectos. Outros caras, dos quais eu não posso esquecer somaram demais pra tudo acontecer, é o caso do Eddie J, do Geo e do HS Jay que fizeram o Julgamento comigo durante os anos iniciais e um monte de outros caras que a gente acaba cometendo o “pecado” de não citar, mas que são igualmente importantes.

Em 1998, a coisa chegou ao fim, logo após termos recebido uma proposta massa por parte do Henrique Portugal (Skank) dizendo que queria produzir o som, o que infelizmente não rolou, mas não era o momento.

Em 2000, numa dessas voltas que a vida dá inexplicavelmente, eu conheci o Giffoni, quando o Orlando BHZ estava produzindo uma coletânea de rap e convidou o Julgamento (a essa altura do campeonato era só Julgamento mesmo). Por causa deste projeto eu chamei um amigo meu, o Negro S, pra tentarmos reconstruir o trabalho a partir do zero, utilizando outras referências sonoras. Não era a banda ainda, como existe hoje, mas o princípio básico estava lá.

Entrevista conexão 2006

Pouco depois chamei meu irmão, Ricardo HD, oCristiano, que fazia parte de um grupo de Betim chamado Lista Negra, e de quebra veio o Khumallo, de Betim também, na época de um grupo chamado Resistência. Daí chamei o Giffoni pra ser Dj e pronto, estava iniciada a fase que dura até hoje.

O projeto era meio ambicioso e até pretencioso, dependendo do ponto de vista. Tinhamos a intenção de fazer um trabalho que refletisse nossas referências, mas que ao mesmo tempo não se parecesse com nada que existisse anteriormente. E foi este o ponto de partida.  Alguns novos parceiros vieram, como o Tobias que assumiu as pick-ups ao lado do Giffoni, alguns bons anos depois, em 2006, a fase banda (com instrumentistas) foi inaugurada com Cássio “Ragnaman” Corsino no baixo e Gustavo Caetano na batera. Posteriormente o Kiko Ianni, responsável pela guitarra flamenca na música “Comunicação Independente”, tomou as rédeas das guitarras do Julgamento, segurando a onda com a banda por um bom tempo.

julgamento-ragnaman

A inserção dos instrumentos no  trabalho abriu novas possiblidades e era a realização de um desejo antigo. A moçada não permaneceu, mas fizemos coisas importantes juntos, coisas que repercutem até hoje.

Julgaemnto 2005

defaultJulgamento- prestes

Algum tempo depois em 2007,  o Gusmão assumiu a bateria, o Helton Rezende passou a fazer as guitarras e em 2008 finalmente conseguimos finalizar o nosso cd, o álbum no Foco do CAOS. Novos parceiros vieram como o Luiz Prestes (baixo) e o Helder Araújo, nosso ovo guitarrista… e novos desafios estão aí.

Continua…

Release

Em atividade desde o final dos anos 90 o Julgamento é um dos principais expoentes da cena musical belo horizontina. O discurso direto e livre de apelações aborda temas relacionados à valorização humana mesclando beats eletrônicos, rimas, scratchs e elementos orgânicos resultando em um verdadeiro petardo sonoro. “Ritmo e poesia em sua mais pura expressão” como o próprio grupo se define.

Em 2002 foi lançado o single “Fazendo o som”, trabalho que já indicava o rumo singular que seria seguido pelo grupo, em 2006 participou da coletânea “Conexão Telemig Celular” com a faixa CAOS e em 2008 participou da coletânea “Malucofonia”, projeto produzido pelo DJ Roger Dee e que reúne trabalhos importantes da atual cena hip-hop da capital.

O primeiro disco “No Foco do CAOS (clique para baixar) “, gravado e produzido por Sérgio Giffoni, foi lançado de forma totalmente independente em abril de 2008. O trabalho foi masterizado por Fabrício Galvanni e conta ainda com as participações de velhos parceiros como a banda Ragna, a cantora Nathy Faria e expoentes importantes da cena hip-hop como Dokttor Bhu, Muck (SOS Periferia), Clodô D’ Lui, DB e Luciano Pereira.

A banda esteve presente em diversos eventos da cena local como o Carnaval Revolução (2003), Eletrônika – Festival de novas tendências musicais (2004), Conexão Telemig Celular (edições 2004, 2005 e 2006- esta última contou com a participação da cantora Negra Li), a primeira edição do Festival Garimpo (2007) em comemoração aos 10 anos da Obra e do programa Alto Falante (Rede Minas/TV Cultura) e Stereoteca (2008).

O Julgamento é formado por: Roger Deff, Ricardo HD e Voz Khumalo (vocais), os DJ’s Giffoni e Tobias (toca-discos), Luiz Prestes (baixo), Heder Araújo (guitarra) e Gusmão (bateria).

Comentários sobre o Julgamento:

” …demonstra referências calcadas em diferentes meios e estilos para a construção de suas músicas, pautado pelo discurso politizado, pelo barulho arquitetado, pela verdade urgente, pela necessidade de comunicar seu julgamento, sua opinião para outras pessoas. Isso de uma maneira que não parece chata nem apenas uma reclamação jogada ao vento” – Lafaiete Júnior – site do Programa Alto Falante.

Os mineiros fazem um som diferente, dançante, sem apelos comerciais e com uma qualidade que vale a pena até o mais avesso ao estilo escutar

Rafael Campos – site Odisco

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