DJ Ice Man

Contra-capa do LP “Seja Mais UM”, do Retrato Radical

Estranho falar do Ice-man, aqui. Eu o conhecia há cerca de 16 anos, nos falávamos pouco, e acho que trocamos poucas idéias durante todos esses anos, mas era alguém que eu respeitava e sempre me passou uma sensação boa, por se tratar de um sujeito íntegro.

De fato, Ice Man não era nenhum falastrão. Falava o necessário, mas longe de ser antipático, apenas economizava palavras.  Quando o conheci ele era para mim o lendário DJ Ice Man, do Retrato Radical, verdadeira referência do rap belohorizontino. Fazia parte das figuras a quem eu admirava, mas que estavam longe do meu convívio. Era assim que eu os via, como verdadeiras lendas, artistas que aprendi a admirar. Quando o vi pela primeira vez eu já ouvira falar muito do nome dele, e, obviamente , do Retrato Radical. Depois comprei o LP, na extinta Black White, na Galeria Praça Sete e acompanhei a trajetória do grupo nos tempos em que suas músicas eram executadas em FMS como a Extra e 98 (SM, isso aconteceu!).

O nome “Ice-Man”, lhe caiu como uma luva. Dono de uma técnica impecável, era um dos mais habilidosos DJs do Hip-Hop local e não duvido que do Brasil também.  Executava transformers, scrtachs e outras técnicas que não sei dizer o nome, com precisão, mas a expressão não demonstrava a menor sensação de esforço.  Talvez venha daí o Ice-Man.

Jamais soube o seu nome de batismo, sempre me referi a ele pelo nome que ele escolheu para executar o seu trabalho de DJ, mas o via com simpatia, o tinha como um velho amigo, alguém que, de certa forma, fez parte de um grande período da minha vida. Dessas pessoas que aprendi a ver como uma extensão da minha família, a geração anos 90 do hip-hop de BH.

Da última vez que o vi ele disse que estava voltando aos toca-discos.  Fiquei feliz em vê-lo, sempre cordeal, alguém com quem eu gostaria de ter convivido mais.

No início desse ano (2012) me chegou a notícia do seu falecimento. Fiquei triste, assim como vários que o conheceram. Hesitei para escrever este post, queria fazer algo à altura da minha admiração, não sei se consegui, no final das contas apenas tentei ser sincero.

Para minha surpresa, o DJ Pooh (seu eterno parceiro nos toca-discos) disse que eu era uma das pessoas do hip-hop com quem Ice Man tinha mais afinidade no cenário Hip-Hop. No fim isso era recíproco, não é preciso falar muito para se estabelecer este tipo de vínculo. Fomos contemporâneos de uma época e compartilhamos conquistas de uma geração que deixou poucos remanescentes. Deixou saudades.

Paz  Ice-Man!

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